Mostrar mensagens com a etiqueta sentimentos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sentimentos. Mostrar todas as mensagens

sábado, 25 de abril de 2009

Lua de Papel

Naquela casa todos eram estranhos.
Havia baldes de orgulho e bacias de ignorância.
Havia quartos de recalcamento vendidos em papel de jornal,
porque o dinheiro é uma bíblia que se cumpre até ao fim da vida.

Naquela casa todos eram estranho menos tu.
Naquela casa todos te transformaram num ser menor.

Mas a vida junta em partes iguais quem se merece.
Hoje caminhamos juntos por trilhos paralelos.
Nem sempre a viagem é certa.
Nem sempre os caminhos são íngremes.
Nem sempre chegamos juntos ao mesmo destino.

Mas em cada lua damos mais um passo para a eternidade.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Vida

Tens o dia-a-dia que outros escolheram para ti.
A mulher que alguém elegeu como sendo tua.
Nesse mundo não há sonhos nem ilusões.

Podia continuar. Mas não quero alongar o sofrimento.

Eu não quero uma vida comprada ou oferecida.
Não quero presentes envenenados.
Eu tenho sonhos.

Saber entende-los é deixar-me viver! Respeitem-nos!

segunda-feira, 31 de março de 2008

Quando não estou...


...deixo o sopro da saudade presa no tempo!
Talvez um dia se lembrem de mim.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Alma de Gato [selvagem]


Independente e orgulhosa.
Mimada e arisca.
Passear sem precisar de companhia e voltar a casa para curar as feridas.
Quando quero procuro os mimos e o ronronar repete-se vezes sem conta.
Mostro as garras quando me pisam a pata e fico eriçada só de ver o inimigo do outro lado da rua.
Mio muito se estou bem disposta e quando estou chateada o melhor é não me passarem a mão no pêlo.
Procuro a cama daqueles que amo para me sentir quentinha e gosto de estar ao sol.
Sei sempre onde estou. Sei bem de quem gosto. Fujo das incertezas e às vezes gosto de aventura.
Tenho alma de gato selvagem, nesta vida tão felina!

sábado, 27 de outubro de 2007

Nas asas do pensamento

Os fantasmas voltaram. Vieram de mansinho e deixaram em mim o teu perfume. Sonho contigo todos os dias e a imagem do teu corpo a transformar-se de dia para dia sem que eu o possa tocar faz-me sentir insignificante.

Deito-me com outra ao lado sem que a sinta. Porque em mim só tu habitas. Nunca tive a coragem suficiente para te agarrar e nunca fui homem suficiente para te amar por inteiro.

Foste minha por um acaso, deixei que fosses só isso e agora a imagem de ti grávida deixou-me paralisado.

Talvez sempre te tenha amado. Ou talvez nunca tenha deixado de te amar e os fantasmas voltam em forma de castigo…porque nunca te disse o quanto és importante para mim.

Sempre que me perguntaste o que sentia por ti, guardei, sem saber, o maior tesouro que a humanidade tem. Guardei-te em mim, perpetuei os teus beijos, o desenho que os teus cabelos fizeram na minha cama e o aroma que juntos bebemos, sôfregos de nós.

Tenho em cada lembrança, o sabor do momento. Não acredito que algum dia fomos um do outro, talvez tenha sido apenas um sonho, um sonho bom. E é nessa lembrança que me deixo embalar, que faço com que os fantasmas me castiguem e me façam percorrer um caminho que não é o meu.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

O último voo...


Ela tinha tudo planeado. A vida deixou de ter sentido quando ainda se sentia feliz, agora tinha-se tornado insuportável vivê-la.

Naquela manhã saiu de casa decidida a não voltar. Levava na carteira o indispensável para ser reconhecida quando o inevitável acontecesse.

Despediu-se das suas companheiras de sempre, duas gatas que naquele dia pareciam pressentir a saudade que se abatia sobre aquelas paredes. Ela não conseguiu sorrir, as lágrimas caíram enquanto se desfazia em festas.

Pelo caminho, tocava Palma.

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Tinha chegado ao fim. A rota estava viciada, as cartas só indicavam um caminho. E o Palma sabia melhor do que ela, dos seus sonhos, das suas vitórias e das suas derrotas.

O mar estava à sua espera. Fazia pequenas gracinhas com as ondas. A névoa encobria a lágrima que teimava em escorregar. Não era dúvida o que sentia, era saudade de tudo aquilo que não viveu. Fechou os olhos e deixou-se cair. Os olhos fechados e o vento a acariciar-lhe a cara. O corpo pesado e uma sensação de liberdade que não sentia desde que era criança e o perigo não representava as barreiras reais do mundo dos crescidos.

Uma dor aguda fez com que se encolhesse e depois o infinito. Deixou de lutar.

______________________________________________________

A queda foi quase perfeita, repetia o nobre surfista que a tinha salvo da morte.

Desceu num voo silencioso e caiu sem bater em nenhuma rocha. Acabou por lutar com a corrente que a atirou vezes sem conta contra a falésia, até ser resgatada pelo jovem de olhos verdes e pele muito queimada pelo sol.

_______________________________________________________

Só se dá realmente valor ao sofrimento dos outros, quando percebemos que nada podemos fazer por eles.

O corpo não suportou os traumatismos, vegetava com inúmeras contusões, retratava a realidade daquela alma em desespero. As cicatrizes do rosto seriam para sempre a recordação da sua última vontade. E para os outros aquela era uma verdade surda que poucos iriam aceitar e suportar.

A sua respiração não alimentava esperanças. As máquinas adiavam apenas o esperado. E ela lutava por se manter assim. Ninguém!

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Carácter (ou falta dele)



Na sociedade escolhem-se determinados indivíduos, grupos ou profissões, para aliviar toda a raiva que se tem do mundo.
Em Portugal, todos falam de boca cheia, todos criticam.

Há os coitadinhos, que gostam de o ser e não fazem nada para mudar isso. São os coitadinhos-congénitos.
Há os arrogantes-convictos, que ferem e matam, que sabem mais do que todos, que bebem saber e dormem em verdades.
Há os anormais-estúpidos, aqueles que são parvos e não sabem, que se fazem de estúpidos para atingir um fim.
Há os mafiosos-fingidos, que se acobardam atrás de uma capa para arrasarem qualquer um. Parecem afáveis na maioria das vezes e até amigos do amigo, mas na primeira oportunidade apunhalam pela costas.

Já não se trata de mau carácter, nem de traços de personalidade, mas de fugas à realidade. Com tanta frustração há que imputá-la a alguém ou será contra alguém?! Há deste tipo de pessoas em todos os sectores de actividade, em todas as sociedades, em todas as profissões.

Chamam-nos* elitistas, dizem que usamos palavras caras ou que vivemos num patamar superior. Mas todos acham que podem fazer o que nós* fazemos. Na verdade, acho que todos gostavam de ser como nós* somos!

* a todos os-da-minha-espécie ou que têm a mesma formação académica (lic. arquitectura). Por me sentir cansada de ser saco-de-porrada e ser "julgada" no meio-comum pela actividade profissional que exerço!